terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Igreja Maranata. Até ex-membros são investigados por desvio de dízimo

Até ex-membros são investigados por desvio de dízimo na Maranata 
Criador do blog Cavaleiro Veloz e advogado integram a lista que consta em processo


Das 26 pessoas que estão sendo investigadas pelas fraudes que viabilizaram o desvio do dinheiro doado pelos fiéis da Maranata, duas já não fazem parte dos quadros da instituição. Uma delas é o criador do blog Cavaleiro Veloz, que faz denúncias contra a Maranata. A outra é um ex-pastor que fundou uma nova igreja.


A lista com o nome dos investigados consta no processo que tramita na Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, ao qual A GAZETA teve acesso. As investigações estão sendo conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Rompimento
Mário Hastenreiter de Souza – o Cavaleiro Veloz, tradução do seu sobrenome alemão – recusou-se a falar sobre o assunto. Em sua defesa apresentada em juízo, ele pediu a exclusão de seu nome das investigações, alegando que houve um erro por não fazer parte dos quadros da Maranata desde abril de 1987.

No documento, Hastenreiter relata: "após definitivo rompimento com qualquer vínculo com essa entidade, bem afincada, corajosa e sensatamente, nesses últimos anos dediquei-me a denunciar a apostasia, fraudes e heresias em que a liderança desta igreja mergulhou".

Além do blog – com mais 7 mil posts e 3 mil acessos por dia –, Hastenreiter possui outros perfis em redes sociais onde também faz denúncias contra a Maranata.

Na lista de investigados também aparece o nome do advogado Mário Luiz de Moraes. Ele foi membro do Conselho Presbiteral que administra a Maranata e faz parte do grupo que deixou a instituição em 2012 e fundou outra igreja, a Louvai.

Saída


Moraes disse estar tranquilo com as investigações. "A Justiça está certíssima em investigar. Não tenho o que esconder. Antes da quebra do sigilo bancário e fiscal, pela Justiça, já tinha disponibilizado as minhas informações aos investigadores", disse.

Acrescentou que sua saída da Maranata decorre da não aceitação, por parte da diretoria da igreja, em investigar as fraudes. "Participei das primeiras investigações internas da igreja e entreguei, pessoalmente, os documentos ao presidente Gedelti Gueiros. Decidiram boicotar os fatos, o que não aceitei", relatou.

O esquema de corrupção que desviou o dinheiro do dízimo foi viabilizado por intermédio de notas fiscais frias que pagavam serviços superfaturados, segundo as denúncias. São suspeitos pelas fraudes pastores e até fornecedores da igreja.

Crimes
Entre os crimes que podem ter sido cometidos estão estelionato, falsidade ideológica, formação de quadrilha, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e até formação de curral eleitoral. Há investigações também sendo feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Pastor: apurações internas não desvendaram irregularidades
Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o pastor Alexandre Melo Brasil, membro do Conselho Presbiteral que administra a Maranata, informou que as apurações internas realizadas pela própria igreja – denominada de Procedimento Administrativo (PA) – não conseguiram desvendar todas as irregularidades praticadas.

As informações referem-se ao desvio do dinheiro do dízimo doado pelos fiéis. No texto, ele acrescenta: "Tanto que o resultado de uma auditoria levada a efeito após as mudanças estatutárias apontou fatos irregulares não mencionado no aludido PA", diz ao referir-se ao pagamento de notas fiscais sem a comprovação de entrega das mercadorias.

À nossa equipe Alexandre disse que, embora o PA não tenha "alcançado 100% da investigação", permitiu que a igreja pudesse fazer mudanças internas para evitar os erros que estavam sendo cometidos.

Viabilizou ainda, segundo ele, junto com uma auditoria feita posteriormente, que a igreja indicasse dois suspeitos pela fraude – o ex-vice-presidente Antonio Angelo Pereira e o contador Leonardo Alvarenga – e entrasse com uma ação na Justiça pedindo a devolução dos recursos.

O pastor Alexandre, que prestou depoimento ao Gaeco, é um das pessoas apontadas pelo Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro como tendo movimentação financeira suspeita. O entra e sai de dinheiro na conta dele, segundo o Gaeco, foi oito vezes superior aos seus rendimentos nos últimos cinco anos.

Em nota oficial, ele já havia dito que é advogado e que "recebe quantias em nomes de clientes, faz o saque e repasses, ficando apenas com os honorários, o que justifica sua movimentação bancária".

Fonte: A Gazeta

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